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Incrustrações em piscina impermeabilizada com manta asfáltica


Com frequência o aplicador é chamado pelo cliente com a reclamação de que o asfalto da manta está saindo pelo rejunte dos azulejos de piscinas impermeabilizadas, depositando-se nos mesmos.

As manchas que aparecem têm coloração por vezes branca ou acinzentada, e às vezes esverdeada escura ou quase preta.

Essas manchas formadas nada têm a ver com a impermeabilização, pois o asfalto e, particularmente as mantas asfálticas poliméricas TORODIN, não são solúveis em água, nem combinam com os produtos utilizados em tratamento de água de piscinas.

1 – Incrustações de coloração clara ou acinzentadas
São causadas pela água que se infiltra pelo rejuntamento dos azulejos e carreia consigo o hidróxido de cálcio solúvel contido na argamassa.

 Este hidróxido em contato com anidrido carbônico (CO2) dissolvido no ar forma o carbonato de cálcio insolúvel em água que se deposita nos rejuntes dos azulejos. A poluição e fuligem do ar fazem com que o carbonato de cálcio de coloração branca adquira cor acinzentada escura.

Para evitar essa ocorrência deve ser utilizado o cimento pozolânico nestas argamassas de piscina, pois este é um cimento que resiste à ação de águas contendo anidrido carbônico ou cloretos e sulfatos dissolvidos.

 Embora menos frequentes, estas incrustações também podem ocorrer em pisos de banheiros e cozinhas ou de lajes externas quando não é executado o caimento correto antes da aplicação da camada impermeabilizante.

A presença efetiva do carbonato de cálcio depositado na piscina, que nada tem a ver com o sistema impermeabilizante, poderá ser facilmente comprovada pela deposição sobre ele de um pouco de ácido muriático. Verificar-se-à uma forte efervescência característica do ataque do ácido ao carbonato. 

Caso seja necessário constatar que a incrustação não está de forma alguma relacionada ao material asfáltico da manta impermeabilizante é só passar sobre ela um pano limpo embebido em varsol, constatar-se-à que o pano permanecerá com a mesma coloração, sem que se visualize uma mancha preta característica da presença de material asfáltico.

2 – Manchas esverdeadas escuras ou azul esverdeadas chegando por vezes a marrom ou quase pretas.

A causa provável dessas manchas é em função de reações de sulfato com produtos resultantes da mistura de cloro e Algicidas ( compostos contendo cobre ) colocados na piscina em um mesmo dia . 

Podem ser também causadas por queda na água de metais ( pregos , grampos e tiaras de cabelo , etc )ou ainda se a água da piscina for proveniente de poços artesianos, minas ou fontes naturais cuja água tenha presença de metais.
As manchas formadas são decorrentes da deposição de sais de cobre que em meio básico são insolúveis. 

Para remoção dessas manchas reduza o pH da água da piscina para 6,5 ( utilizando redutor de pH apropriado ) e deixando a água da piscina circular por 2 horas por dia , durante 7 dias. Nesse período não utilizar a piscina.

Caso a mancha persista, deixar a piscina com o pH baixo até que a mancha saia por completo com uma simples escovação( usar escova apropriada para piscinas). 

Após a remoção da mancha, ajustar o pH para a faixa normal de operação da piscina seguindo as recomendações dos fabricantes de produtos específicos para tratamento da água. 

A utilização do cloro granulado e de algicidas contendo cobre deve ser feita com espaçamento mínimo de 24 horas entre a adição de um produto e do outro, para evitar a formação das manchas.


Trocas de mantas: Frequente engano.


A constante busca, pelo melhor produto impermeabilizante, será, sempre, postura profissional da maior importância.

Ou seja: QUANDO se tratar, de fato, de um dano a ser evitado – ou reparado – pela ação de um desses produtos, tais cautelas farão toda a diferença.




E porque insisto no “QUANDO” ?....

Porque já “estou careca” de verificar que a maioria, absoluta, das infiltrações prediais, que encontro em minhas inspeções - sob terraços expostos, sacadas, boxes de banho, etc –, ocorrem POR TRÁS e POR BAIXO da impermeabilização existente. De fato, vejamos:

1 – Nenhuma elevação, de manta ou película moldada “in-loco”, pode elevar-se, nas periferias, além de uns 20 ou 30 centímetros, pois o emboço, por falta de chapisco, nestas faixas, “despencaria”.

2 - Desejáveis inserções de mantas nos paramentos (paredes ou platibandas) raramente serão contínuas, pois pilares ou pilaretes não podem ser cortados.

3 – Emboços, sobre elevações de mantas, raramente são armados; e quando o são, o “telamento” de reforço raramente se eleva até o emboço são (ancorado em chapisco), para assegurar a integridade da faixa.

4 – A estanqueidade pluvial dos paramentos verticais – notadamete fachadas e muros divisórios – costuma ser muito precária, o que implica em absorção de chuva e em sua migração, via gravidade, pelo interior da parede. E as paredes de boxes, encharcadas dos dois lados, dispensam mais comentários.

Vejam o caso de um terraço exposto: como as águas de São Pedro não se obrigam a chegar, ao plano impermeabilizado, da mesma forma que faz o enganoso enchimento (da rasa “piscina”) com mangueira de jardim, a culpa pelo freqüente “retorno” das infiltrações acaba sendo posta no lombo da equipe de fez a reforma.

Quanto à garantia, habitual, de 5 anos: como esta se refere ao PRODUTO (manta, emulsão, etc, etc), o fabricante “tira o dele da reta”, jurando, também, que a falha “só pode ter ocorrido durante a aplicação”...

Ora, se a chuva infiltrou-se POR TRÁS e SOB da camada vedante, garantias de 5, 50, ou 500 anos terão a mesma e ridícula utilidade.

Outro absurdo, que tenho observado, é a obtusa inserção de tubos extensores, nos condutores pluviais, para assegurar a “perpendicularidade” da grelha coletora (também dita “ralo”). Como se pode perceber, tal artifício tende a represar o “micro lençol freático” que flui sobre a manta (sob a camada de proteção mecânica), agravando o fenômeno da eflorescência calcária decorrente da natural (e inevitável) evaporação das chuvas que percolaram pela porosidade do piso acabado. Resultado: manchas esbranquiçadas e solturas de lousas...

Mas o leigo quer porque quer: “- Vazou ?.. Troca a manta !!...”

( e as empreiteiras, por óbvio, festejam ...) Resumindo: antes de contratar o primeiro “manteiro milagroso” que bate á sua porta, o condomínio deveria fazer um teste de estanqueidade, restrito ao “reservatório” existente (como fazem, no final das reformas, todas as empresas do ramo), com simples tamponamento dos ralos e enchimento a mangueira. A surpresa poderá ser grande...



Fonte: snogueira